Playboy Magazine – Dezembro 2007

Playboy: você ganhou nomeações ao Oscar por torturados, personagens confusos em ‘Gladiador’ e ‘Johnny e June”. Por que você vai em direção ao escuro, difíceis papéis?
Phoenix: Fico lisonjeado quando as pessoas dizem isso de mim, mas muitas vezes me dão mais crédito do que eu mereço. Antes, não havia muita estratégia de escolher papéis. Eu não recebia 400 ofertas de filmes; me ofereciam quatro, e eu fiz esses filmes. Vamos ser honestos: Se eu tivesse 1,80 de altura, louro e musculoso, eles teriam derrubado minha porta. Qualquer ator que não admita isso está errado. Mas quando você se tem estabelecido, você tenta passar pra outra posição.<br><br>

Playboy: Essa “outra posição”, você quer dizer ter a oportunidade de fazer  papéis principais?
Phoenix: A ironia é que estão me oferecendo todos aqueles que habitualmente são oferecidos aos de 1,80, loiros com o peito forte. E eu: “Vocês são loucos? Estou finalmente começando a pegar algum trabalho de verdade, e agora vocês me querem pra fazer filmes onde eu corro por aí com uma arma, perseguindo uns caras?”. Eu não posso compreender atores que, após darem duro por anos, são indicados ao Oscar com 45 anos e ganham, e os próximos 10 filmes que eles fazem são um lixo.

Playboy: Você nasceu em Porto Rico e viajou extensivamente na América do Sul e Central com seus pais, que eram missionários do culto ‘Children of God’. Será que essa experiência preparou você para o mundo real?
Phoenix: Eu não sei qual experiência poderia preparar ninguém para o mundo real. Eu cresci pobre, mas tinha um mundano, rica experiência. Eu me adaptei muito bem a muitas situações, e me sinto confortável em uma série de ambientes e com pessoas diferentes. Eu não mudaria nada.

Playboy: Você começou a atuar aos oito anos de idade, mas em 1993 se tornou fomoso quando o público ouviu você em uma chamada de um telefone do Viper Room, pedindo ajuda para o seu irmão mais velho River, que tinha sofrido uma overdose. É difícil o suficiente para imaginar o que foi, como para você e sua família, mas imagino como esse apelo e os acontecimentos teriam sido explorada hoje em blogs como TMZ.com e nos programas semanais de celebridades.
Phoenix: Foi horrível. Quando meu irmão faleceu, foi o fim de uma era, e você está certo: Se isso tivesse acontecido muito mais tarde, teria saido em muitos blogs. A quantidade de informação voando pra trás e para a frente agora vai além da compreensão. Suponho que sempre foi um equivalente ao longo da história, mas as vezes é difícil de engolir. Isso faz você se sentir enojado sobre si mesmo e sobre os seres humanos. Você olha para si mesmo e diz, ‘quando eu explorei os outros tenho sido voyeurista? Se alguém começa a falar de um amigo mútuo, eu digo, “Eu não quero saber”. Eu nem sequer leio entrevista com um político, mas que se fosse político batendo em seu assistente, não quero ler, e eu não me importo.<br><br>

Playboy: Você não se importa porque você acha que a informação é irrelevante para a desempenho político ou porque ouvir isso faz você ficar enojado?
Phoenix: A coisa que deveriamos debater no notíciario, o que os meios de comunicação deveriam seguir uma maneira sem coração, não é a família de alguém que já faleceu, mas ao invés – ah, não sei – como sobre com quem o presidente se deita? Isso não é para dizer que a vida do meu irmão não teve valor, mas certamente não mereceu ser mais abrangida do que a política mundial e outras questões importantes, sobretudo quando morte acontece todos os dias a milhões de pessoas por todo o mundo e nós não vemos para dar importancia a isso.<br><br>

Playboy: Lidar com a morte de seu irmão, fez você pensar coisas como, por exemplo, vida após a morte?
Phoenix: Poha nenhuma. Não há nada lá. Nó vamos embora. Se eu tenho uma alma, não acho que ela interpreta vida, sentimentos ou experiência. O meu cérebro é o que faz sentir experiências e sentimentos para mim.
Então, quando ela é cortada, como eu posso eventualmente compreender ou sentir alguma coisa?

Playboy: Você teve uma experiência quase morte quando você capotou seu carro em uma estrada na canyon em Los Angeles em Janeiro de 2006?
Phoenix: Isso foi bastante intenso. Trânsito ruim as três horas da tarde, todos os veículos praticamente estavam estacionados, e os meus freios simplismente pararam. Foi como quando você perde o passo, esperando que o próximo passo esteja lá, e não está. Eu apertava no freio, e isso me levou a um segundo, espera, esse movimento fez o mundo todo à minha volta parar. Mas eu freava e nada. O horror que passou pela minha cabeça foi ver uma mulher no carro parado na minha frente e pensei ‘eu não quero machucar ninguém’. Então para esquivar dos carros, eu virei à direita na montanha. Se eu tivesse atingido a montanha e capotado, teria explodido: Todos os air bags falharam, e eu aproveitei desse grande movimento porque tudo ficou bem. Foi como se o tempo tivesse parado e nada acontecido.

Playboy: Você também teve que lidar com questões de abuso de substâncias. Em 2005, poucos meses depois de concluir ‘Johnny e June’, você se internou numa clínica de reabilitação pra facilitar problemas com álcool.
Phoenix: Parágrafo dois, página 148, manual dos atores diz,”Se você quiser ser indicado para um Oscar, vá para reabilitação.” Eu senti que precisava da indicação e, quando a reabilitação parecia não estar funcionando eu decidi virar o carro e dizer que o meu freios falharam. Deve ter funcionado. [Risos] Não, eu só pensava que estava indo para jogar ping-pong e cartas, e beber limonada em um excelente lugar por um tempo. Então eles me disseram eu ia ter que dizer meu nome, e merda. Era como, “Eu não acho que isto é exatamente o que sou soposto a fazer.” Mas, sério, eu estou completamente bem.

Playboy: Você sempre manteve uma rigorosa dieta sem carne? Sem dieta diariamente? Algumas pessoas acham que você não é divertido pra dar uma volta?
Phoenix: Eu não tento impor o meu ponto de vista pra ninguem, e só posso dizer que o que eu sinto, é o certo pra mim. Claro, eu tive lapsos. Quando eu tinha cerca de 12 anos fiquei com um amigo em San Diego. Eles pediram pizzas, e foi como, “eu vou comer muita pizza.” Eu comi duas fatias e vomitei durante dois dias. Não estou acostumado e eu anseio(crave?)por saladas e legumes. Eu nunca adorei doce, e eu particularmente não gosto de alimentos muito ricos. Eu sou o sonho dos pais.

Playboy: Ter um irmão mais velho no show business fez você se preparar?
Phoenix: Eu não tinha percepção de Hollywood, e meu irmão, que foi definitivamente famoso, não procedeu-se como tal. Nós não vivemos em Los Angeles, e não havia nenhuma atmosfera de Hollywood nos rodeiando. Crescer, ‘Sidarta’ foi a razão para não ler ‘Entertainment Weekly’.

Playboy: Seu personagem no filme de 1999 do Nicolas Cage, 8MM vendia pornografia. Você faria filmes eróticos?
Phoenix: Pornô é fantástico – não fantástico, é apenas o que é. Isso sempre esteve por aí, muito bom, legal, uma explosão, mas acho que a minha imaginação é muito melhor. Há algum tempo, porém, eu esperava fazer versões de filmes pornô que eu fiz. Isso poderia ter sido bom, como “Glad He Ate Her” para ‘Gladiator’. ‘8MM’ você pode querer fazer o remake como ‘8 centímetros’. Tenho um amigo que sabe de memória títulos pornos para cada filme que eu fiz. Isso é genial.

Playboy: Um dos seus atuais filmes, ‘Os Donos da Noite’, você interpreta um úsuario de cocaína nos anos 80, gerente de um clube comandado pelos russos. Você e Eva Mendes dividem uma forte cena de sexo.
Phoenix: Ela foi tão profissional. Eu nunca vi tanta fome nos olhos de alguém – falando em todas as coisas, querendo experiencia, estudar e fazer. Isso foi tão emocionante, porque estimula a sua fome. A cena de sexo foi umas das últimas que filmamos, mas é a primeira cena do filme porque uma hora meu personagem perde ela, ele nunca mais vai experimentar essa paixão, esse amor e aproveitar isso em sua vida de novo.

Playboy: Mendes, que disse que precisou de vodka pra controlar o nervosismo quando filmou a cena, chamou você de “um dos maiores atores da minha geração”, mas também disse que trabalhar com você “era como trabalhar com um filhotinho de cachorro ou um de dois anos: Quando você consegue sua atenção é um fofo, mas por outro lado…”
Phoenix: Esse cachorrinho não sabia que era um filhotinho ou um de dois anos de idade. ele pensava que era um ator de 31 nos de idade tentando fazer um filme. Se eu soubesse que tinha que ser um filhotinho, eu teria sido muito mais fofo e lhe dado mais atenção. Minhas desculpas, Eva, mas eu tinha algumas outras cenas que você não estava. Esse cachorrinho tinha muito trabalho pra fazer.

Playboy: A imprensa estava certa em especular que você e ela (Eva Mendes) tiveram um envolvimento romântico?
Phoenix: Eles falaram que estavamos namorando antes mesmo de eu conhece-la. Isso foi hilário. Nós saimos na primeira noite pra comer alguma coisa, e lá estavam fotografos por toda parte. Pensei ‘quem é essa poha dessa mulher?’ porque eu juro por Deus, não conheço ninguém a menos que já tenha trabalhado com a pessoa. Sentir como se você estivesse sendo analisado é ruim quando você está trabalhando. Isso chegou a um ponto em que não poderíamos sequer sair, porque isso se tornou uma coisa. Estou sempre fico espantado com a fofoca queeralmente criada do nada.

Playboy: Muitos homens iriam considerar Mendes uma mulher ideal. Qual é a sua ideal?
Phoenix: Um pouco gorda, chata, sem humor, inteligência principalmente e com peitos extremamente pequenos. Não, eu não tenho um tipo particular. Sem ser pretensioso, doçura e simplicidade são tudo o que procuro. Eu vivo uma vida muito chata. Sou muito mais clichê, patético e pretensioso do que você provavelmente me daria crédito. Eu não quero fazer muito mais coisas quando eu não estou trabalhando. É importante que qualquer mulher que eu conheça saiba que não precisa ser estimulada fora de casa, porque eu não posso providenciar isso.

Playboy: Quando você sai com alguém nova, você se considera em desvantagem, pois ela poderá ver seus filmes e pesquisar sobre você no Google?
Phoenix: Eu tenho certeza que acontece, mas tudo o que posso fazer é ter certeza que eu nunca faria isso pra alguém. Não posso garantir que as pessoas em um prédio não tenham telescópios e olha alguém. Recentemente um amigo disse: “Eu quero te apresentar uma amiga, uma garota. Ela é realmente agradável. É só olhar pra ela. Seu nome é ——–” Eu vou conhecer ela quando eu conhecer ela. Eu certamente não vou procurar por ela na internet.

Playboy: “Reservation Road”, outro dos seus novos filmes, é sobre os pais que lidam com a morte de uma criança. O quanto esse assunto sinistro contou em você?
Phoenix: Foi obviamente um material difícil, mas ironicamente, eu tinha um bom tempo. Adorei trabalhar com Terry George, o escritor e diretor – eu fiz ‘Hotel Ruanda’ com ele, porque ele disse que, diferente da América, “o resto do mundo pressupõe que eles estão perdendo crianças. Eles pressupõem que alguém vai bombardear eles. É apenas uma parte da vida.” América vive em um escudo. Então quando o 11 de setembro aconteceu, para uma grande parte do mundo era como, “Desgraçados, nós tivemos essa merda acontecendo há muito tempo.” Era interessante para alguém com a perspectiva de George envolvido nesse filme, porque o perigo era que isso poderia simplesmente ter sido um festival de choro.

Playboy: Falando em choradeira, Casey Affleck fez realmente filmou sua choradeira enquanto você estava sendo tatuado?
Phoenix: Eu esqueci completamente que ele tinha filmado isso. Sim, eu fui uma cadela sendo tatuado. Não tenho problemas com não ser macho. Fiquei a vontade pra chorar enquanto uma tatto era colocada na parte interna do meu braço, o que é aparentemente um dos mais sensíveis locais onde você pode fazer isso. Casey e eu estivemos na Itália e queriamos tatuagens de círculos significando literalmente “nada”. Nós estávamos zuando das pessoas que tatuam símbolos em seus braços e quando você pergunta, “O que é o símbolo”? Eles falam tipo, “Significa ‘sabedoria’, em gaélico” e você pensa: “Oh, me chupa”. Wow, eu quero saber onde esse vídeo está.

Playboy: Você tem assistido ‘Gladiador’ ultimamente? Seu desempenho como o paranóico jovem herdeiro ao trono se mantém bem.
Phoenix: Eu vi só a primeira metade. Quando entrou meu personagem no filme, saí. É impossível pra mim ver esse filme – ou qualquer um dos meus filmes – da mesma forma, qualquer um que não foi diretamente ligado ao fazer isso. Vou apenas lembrar tentando fazer uma cena – o que eu sei e o que não sei. Então eu nunca vou ser precipitado. Quando se trabalha, toda a diversão de um filme é que você para de pensar e começar a se perder completamente nesse mundo. É uma má ideia para os atores crescer habituados a se ver na câmera, porque inevitavelmente você começar a fazer as coisas e tornar-se auto-consciente. A única forma de evitar é não estar ciente de si mesmo nesse modo ou pelo menos tentando não estar.

Playboy: Será que alguém alguma vez tentou convencê-lo de que se você fosse mais amigável e sociável em Hollywood, você pode vir a ser um grande nome?
Phoenix: Pelo que me lembro, Michelangelo não foi particularmente social. Eu não acho que John Lennon foi particularmente social também. Todo o propósito de ser criativo é que você está fora de você mesmo, fazendo isso. Assim que você começar ser amigável, eu acho que você vai esquecer como é difícil tocar o sol.