“C’mon C’mon” pode entrar na corrida do Oscar?

Publicado por Aline

Artigo original Variety, por Clayton Davis.
Traduzido por Aline.

Se há um filme que foi exibido nas montanhas no Festival de Cinema de Telluride e ganhou pernas com os participantes, foi “C’mon C’mon” de Mike Mills, estrelado por Joaquin Phoenix, Gaby Hoffmann e Woody Norman. O longa-metragem da A24 estreou no famoso teatro Chuck Jones no dia de abertura do festival, que se tornou um amuleto de boa sorte de filmes como “Lady Bird” (2017) e o vencedor do Oscar de melhor filme “Moonlight” (2016) apresentado naquele slot cobiçado. Ninguém discutiu inicialmente a continuação de Mills para “Mulheres do Século 20”, que lhe rendeu uma indicação para o roteiro original – a única menção ao filme. Mas, à medida que o festival de cinco dias continuou, a representação pitoresca em preto e branco de como nos comunicamos uns com os outros tornou-se um dos favoritos do festival.

O filme de Mills não vai agradar a todos, mas eu seria negligente se não compartilhasse que este poderia ser o melhor roteiro escrito na última década, algo que o ramo dos escritores pode reconhecer. Com outros festivais de outono em pauta, o boca a boca pode crescer, semelhante a quando outro filme de Phoenix, “Ela” (Her), estreou no Festival de Cinema de Nova York. Na época, eu era um cético, pensando que a Academia não poderia reconhecer uma realização tão impressionante do escritor e diretor Spike Jonze. No final da temporada, o filme saiu com o prêmio de roteiro original e recebeu impressionantes cinco nomeações para o Oscar no total. “C’mon C’mon” poderia seguir uma trajetória semelhante.

Existe mais possibilidades?

Faz apenas dois anos que Phoenix ganhou o Oscar por sua atuação ameaçadora em “Coringa”, de Todd Phillips. Ele havia entrado nessa cerimônia com três indicações anteriores: “Gladiador” (2000), “Johnny e June” (2005) e o que considero o melhor de sua carreira, “O Mestre” (2012). “C’mon C’mon” agora está sentado confortavelmente atrás de seu trabalho mais precioso. A corrida de melhor ator poderia encontrar espaço para sua virada carismática subjugada, mas como observamos em Telluride, cerca de meia dúzia de protagonistas surgiram como candidatos ao prêmio, incluindo Benedict Cumberbatch, Peter Dinklage, Will Smith e Simon Rex. A luta será dura para todos.

Norman é uma das maiores descobertas, e é difícil não se apaixonar por suas entregas caprichosas e batidas comoventes. Freddie Highmore (“Em Busca da Terra do Nunca”) e Jacob Tremblay (“O Quarto de Jack”) são dois dos mais recentes atores mirins que receberam o amor da Academia. Caberá ao comitê de nomeação do SAG, que é mais aberto aos atores mais jovens, mantê-lo no jogo.

Hoffman, que começou como atriz mirim (sempre adoraremos seu papel em “Sintonia de Amor”), mantém o filme firme. A atriz coadjuvante seria um lugar apropriado para abraçar seu trabalho, que essencialmente reinventa um dos papéis mais mundanos de Hollywood: “mulher no telefone”.

O cinegrafista Robbie Ryan chegou, pelo menos no sentido de que todo cineasta está procurando ver se ele pode trabalhar em seu próximo projeto. Dos vários filmes em preto e branco que foram vistos até agora este ano – “Belfast” e “Passing” – ele está acima da briga, mas este tipo de trabalho de câmera moderno não é algo que o ramo normalmente abraça. Esperançosamente, vencedores monocromáticos anteriores como “Roma” e “O Artista” podem oferecer alguma inspiração.

Se o burburinho continuar a crescer, “C’mon C’mon” pode se tornar o pequeno motor desta temporada de prêmios.

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