Falando de C’Mon, C’mon

E estreando aqui no site o “Falando de…”, pretendo fornecer uma resenha acerca de cada filme estrelado (ou co-estrelado) por Joaquin Phoenix.
E para iniciar essa sessão, começarei com o filme mais recente.

C’mon, C’Mon ou Sempre em Frente (como foi traduzido aqui no Brasil) é um filme de Drama escrito e dirigido por Mike Mills, estrelado por Joaquin Phoenix e o pequeno (e promissor) Woody Norman. O filme foi lançado em 2021 em amostras e premiações de cinema e acabou não apenas concorrendo em diversas categorias, como também levando prêmios e se tornando uma produção muito elogiada pela crítica.
No Brasil, o filme foi oficialmente lançado no final de 2022 e está disponível na plataforma de streamming Amazon.

Aqui mesmo no site, há diversas matérias sobre o filme, desde as primeiras especulações até as primeiras resenhas e entrevistas internacionais lançadas, além da cobertura, indicações e premiações em que o filme esteve presente nos festivais de cinema. Só procurar por “C’Mon, C’mon “.

Dito isso, quero avisar aqui que esta resenha é uma opinião pessoal sobre o filme, no qual pretendo comentar características gerais e interpretações que tive ao assistir. E não se preocupe: é uma resenha sem spoilers. Confira!

Após o grande sucesso e a magnífica atuação em Coringa, o vencedor do Oscar, Joaquim Phoenix, volta em uma produção mais minimalista em seu primeiro filme pós-pandemia. E mostrando mais uma vez sua versatilidade, Phoenix atua em uma produção interpretando um personagem totalmente diferente daquele mais recente até então, que lhe havia garantido o Oscar de Melhor Ator.

Sempre me Frente é um filme-arte. Digo filme-arte porque ele, desde o princípio, é um filme concebido para levar a reflexão e retratar a ambiguidade entre o simples e o complexo da vida comum.

Na trama, o jornalista Johnny, a pedido de sua irmã, fica responsável por cuidar de seu sobrinho Jesse enquanto ela viaja para cuidar de seu problemático marido. Johnny é uma pessoa solitária e focada em seu trabalho, que está viajando pelo país realizando entrevistas com crianças e suas percepções e desejos para o futuro. Porém, com a responsabilidade que lhe foi delegada por sua irmã Viv (interpretada por Gaby Hoffman) de cuidar de seu filho Jesse, Johnny se vê diante de um desafio que não tem certeza de estar preparado para tamanha responsabilidade. É com essa premissa que o filme se desenrola, através de uma bordagem delicada e íntima dos personagens.

O filme é todo filmado em preto e branco e, embora isso possa causar certa estranheza a princípio, ele combina perfeitamente com a sensação melancólica que permeia os personagens e suas narrativas. Em diversos momentos de conversas (principalmente entre Johnny e sua irmã) a câmera é posicionada no canto do local ou na entrada da porta, como se estivéssemos espionando a conversa íntima de desabafos entre eles. E o mesmo acontece em momentos solitários de Johnny onde a câmera se posiciona ao fim do corredor. E isso, aliado ao silêncio ou a suave música de fundo, criam uma sensação de imersão no espectador. E acho que “imersão” é um termo que define bem a proposta do filme.

O diretor Mike Mills soube trabalhar muito bem a dinâmica da história e a forma como os personagens transitam pelas cenas.
A sensação que se passa é que, embora o filme seja uma história sobre a convivência de Johnny e Jesse, ela não seja necessariamente o ponto mais importante da mensagem que o diretor quis passar. O ponto mais importante parece ser os relatos das crianças mostrados ao decorrer do filme através das entrevistas que o personagem Johnny e sua equipe realizam em diversos estados dos EUA.

O trabalho de Johnny mostrado no filme, poderia muito bem ser um trabalho do próprio diretor Mike Mills para um documentário focado nisso. Mas documentários não alcançam um destaque tal qual um filme. Então, inserir em um filme a atmosfera de um documentário e contendo esses relatos, parece-me uma decisão bem acertada. Afinal, com a visibilidade maior de um filme (ainda mais tendo como protagonista um ator conhecido) a mensagem da pesquisa de entrevistas com as crianças é vista e refletida por um número muito maior de pessoas. E tais mensagens sobre o que as crianças pensam e desejam é ideal para a realidade atual em que estamos. Hoje as crianças e jovens possuem muito mais espaço para falarem e serem ouvidas.

Uma coisa que me surpreendeu no filme é a abordagem sobre transtornos emocionais. Isso é mostrado de uma forma delicada e bem construída, nunca pendendo para o exagero. E talvez exatamente nessa delicadeza de se abordar e a magnífica interação entre seus protagonistas reside o auge do filme e a razão de ter sido tão bem recebido e premiado pela crítica especializada. E claro, não posso deixar de mencionar a atuação de Joaquin Phoenix e do pequeno Woody Norman que relacionam-se tão bem e com tanta naturalidade no filme que nem parecem que estão atuando, apenas sendo eles mesmos.

Sempre em Frente, pode não ser um filme que prenda a atenção do espectador ou que nos faça querer assistí-lo mais de uma vez. Porém, é um filme bonito e sensível. Um filme sobre a vida, a família, o amadurecimento, a busca do que pensamos e queremos para o futuro. Ele nos toca e emociona na medida certa.

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